14.7.04

CONFESSO

Era de uma chama rebelde,
aquele olhar que a traía .
Fonte de vida incontida,
De sinais de chegada e partida
Agitação que desejo mereceu
Cativo um coração fez
Permaneceu .
Tudo o que aqui digo
Incontestado nas mãos ficou
Abertas mostravam ,
Libertas e transparentes.
Arranquei-te aos poucos a alma
Despudoradamente fi-lo
E sabia-o, até sem saber
Não era meu esse direito
Não o podia devia ou queria fazer
Mas fi-lo, e não devia.
Arrependo-me de para te ter, te suprimir
SUSPIRO

? Foi um suspiro. Um Ai.....suave.
Como que um beijo doce que não acaba
Prolongado pelo calor de um desejo, forte.
Entrego o que sou a teu leito
Ameno, envolve minha vontade; Tua.
Penso, ou não penso. Sinto.
Sou sem ser eu, teu, abraço
Que adormece minha angustia, parada
Fica.
Esqueço, olvido, que mundo lá fora
Está, distante.
Mergulho, intenso
Acontece.
Adormeço, sorriso.
É bom ter teus braços em mim
É única a sensação que sinto
Quando em ti me perco, de teu olhar profundo
Suave, disperso, guardado.
Nem palavras preciso, nem dize-las consigo,
O aperto de teu corpo, leve, pesado de calor
Tudo o que há para ser dito, fala
Conversa de nós, solto, verdadeiro
Deixo a ele a ilustre tarefa de comentar
O que duas mãos juntas, unidas, coladas
Sentem e querem
Sem que para isso palavras tenham de usar.
É um suspiro. Um ai. Calado.
Lua Falada

Perguntei hoje à Lua
Se para dizer o que sinto
Chegada era a altura?
Respondeu uma voz
Confiante e madura
Que para questão tão atroz
A fonte teria que ser pura.

Que procurasse lá dentro
Porque, a haver sentimento
Para não deixa-lo morrer
Ao vento
Encontra-lo era preciso.

Respondi com humildade
Que saberia ela melhor do que eu
Mas que estranhava a sua verdade
Porque dizer que pereceu
Difícil se me apresentava
É que não na sua existência
Mas na oportunidade de entregar
Residia a minha impaciência

Percebeu finalmente
Da explicação que lhe dei
Que o calor em mim ardente
Morto não podia ser, aí descansei.
Irritado pela impaciência do medo
Agressivo, para ela me virei e exigi:
Diz-me se sabes o segredo
Para a duvida que meu espírito traz em si.

Não tens tu duvidas, senão certezas
Mostram-se claras as por ti pedidas respostas
Olha bem, sem receio, para tuas belezas
Que procurar não mais precisas
Dizer-lho não é decisão tua
É a alma quem lho mostra
Incontido por teus lábios desagua
O sentimento vai e em suas mãos se prostra.


OCUBANZA

Esvaziou-se!
Como uma taça desocupada que vejo
Logo após deleitosa sobremesa que tive.
Vejo-lhe o fundo, abismado.
Não é de viveres esta taça
Nem o estomago dela se queixa
Não é a carne, nem tão pouco o sangue
Ou digestivo aparelho reclama.
É da alma que falo, ou melhor,
Sinto e rezingo.
São teus olhos acesos, de cores essas
Que me aquecem por dentro;
E também por fora.
Tua boca também, que dela não prescinde
Minha vontade.
Mãos, pés, cabelos e teu cheiro
Tudo levaste quando atrás de ti a porta fechou.
Sei que não foste
Apenas vais, ali
Sei de tudo isso, mas escondo
Guardo de meus sentidos o que sei
Tanto mais que de nada lhe serviria
Tão despiciendo aviso.
Sinto teu ar em meu olfacto
Como uma trilha que me conforta
Para sempre te encontrar.
Sei que só ali vais
Sei disso muito bem
Nem por isso não te sinto,
Dilacerando minhas entranhas,
A falta!